domingo, 23 de julho de 2023

Caminho na Floresta

A rapariga acordou no dia seguinte com um raio de sol a iluminar-lhe o rosto, ao abrir os olhos deu-se conta que estava sozinha num quarto que não era o seu, numa cama que não era a sua, a almofada tinha o cheiro dele, enterrou a cabeça nela e lembrou se da razão de estar ali.
Dormira na cabana do feiticeiro depois de na noite anterior ter ido ter com ele e acabado por fazer uma declaração em jeito de desabafo á qual ele não lhe tinha dado outra resposta senão o seu silencio. Levantou-se e reparou que ainda tinha vestidas as mesmas roupas, uma vez de pé tentou endireita-las sem grande sucesso. Como era estranho estar ali, ter dormido noutro lugar que não o seu sótão com cheiro a mofo e ratos, ali cheirava a natureza e havia uma brisa fresca no ar que contrastava claramente o odor pestilento da cidade. Abriu a porta do quarto devagar a caminhou pelo corredor devagar numa tentativa de evitar que a madeira do chão fizesse muito barulho, chegou a uma pequena sala com uma mesa feita de pinho, e um canto onde havia vestígios de cinzas, certamente seria uma pequena cozinha dos dias mais frios e de chuva que impediam o feiticeiro de estar lá fora ao ar livre. Á sua frente havia mais uma porta que estava entreaberta deixando entrar o sol e aquela brisa matinal, na rua viu o feiticeiro a escovar o seu cavalo negro, tinha o mesmo olhar severo da noite anterior, o olhar distante mas concentrado no que fazia, não se deu conta a principio que ela estava ali. Só quando deu a volta ao animal para escovar o outro dorso a viu á porta da sua cabana, e desviou o olhar.
- Já estás ai? - disse em tom grosseiro. Ela nada lhe respondeu e desceu os pequenos degraus do patamar para retomar o seu caminho até á cidade - Tens fome? Tenho pão e presunto.
Ela parou e olhou para ele, de facto estava com alguma fome mas não sabia se havia de aceitar a oferta ou não.
- Obrigada, mas eu vou andando. Já causei transtorno que chegue. - respondeu calmamente.
- Espera. - disse o feiticeiro. - Sobe para o cavalo que eu levo-te!
Ela ficou atónita, mas acedeu ao pedido e deu a mão ao feiticeiro que a ajudou a subir para o cavalo, e juntos tomaram o caminho para a cidade.

Após algum tempo ele quebrou o silêncio.
- Tens nome? Ou tenho de continuar a tratar-te por rapariga?
- Sim tenho. Mas para te dizer o meu tens que me dizer o teu. Os nomes têm poder não devem ser ditos assim de forma leviana.
- Hum, vejo que percebes alguma coisa. Sim, os nomes têm poder, na magia ao usar o nome da pessoa podemos lançar feitiços bons ou maus. Mas tudo bem, percebo que o dizes. - terminou e ficou calado mais algum tempo, fazendo-a pensar que o silêncio iria durar até chegarem á cidade, o que não iria demorar muito mais - Sou  Ferghus! - disse o feiticeiro.
Ela abriu muito os olhos e sentiu um pequeno calor no seu peito, a sua raiva parecia estar a dicipar-se.
- Chamo-me Caelssy. 
- Fico contente em saber.
E a conversa ficou por ali, tinham chegado e o cavalo parou.







quinta-feira, 20 de julho de 2023

Sentimentos retidos no coração

Era quase noite na floresta, o feiticeiro preparava a sua refeição num caldeirão de ferro que borbulhava sob o fogo da fogueira. Deu-se conta de ouvir tímidos passos nas folhas secas. Quando olhou viu a rapariga da cidade, desta vez não estava escondida a observa-lo, estava bem á sua frente, tão estática como as árvores que os rodeavam. 
- O que fazes aqui? - perguntou ele, mas ela susteve a respiração.
Estava demasiado nervosa para falar. Antes começou a correr fugindo dele, mas foi atrás e agarrou-a com os braços fortes.
- Responde-me! O que fazes aqui? O que queres?
Quanto mais ele tentava obter respostas mais ela tremia. Então largou-a, a rapariga estava tão nervosa que as suas pernas perderam a força para se erguer e ela cai no chão desamparada.
- Vai-te embora, a floresta é perigosa de noite. - disse sem que dela viesse alguma resposta. - Não ouves o que digo?
Ela levantou-se e deu mais um passo em frente e ele virou-se varinha em punho.
- Já disse para te ires embora! - bradou em tom intimidante com olhar ameaçador.
Ela nunca o tinha visto assim, tão zangado. O seu coração quase que lhe saltava do peito, a respiração ofegante impedia-a de soltar qualquer palavra. Engoliu em seco umas quantas vezes até que por fim conseguiu dizer..
- Admiro-te desde o primeiro dia em que te vi. Não sei explicar! Sinto esta estranha ligação a ti e não consigo combate-la. Sei que de alguma forma vieste lutar contra a bruma negra mas TU és a bruma negra que me destrói! Em silêncio por dentro, cada olhar teu sem dizer uma palavra, é uma farpa no meu peito, que sangra e dói sempre que te vejo, sem poder falar contigo!

O feiticeiro desviou o olhar e ficou sem palavras, arrumou a varinha e comtemplou a floresta, agora era ele que não dizia palavra pois não esperava ouvir tudo aquilo. Ela falou, pela primeira vez ouvia a sua voz e não tinha resposta para lhe dar, pois não esperava ouvir uma declaração tanto sentida e ao mesmo tempo tão cheia de ódio. A fogueira crepitava e o caldeirão ainda borbulhava, para além do vento nas copas das arvores, este era o unico som que se ouvia em toda a  floresta.

domingo, 16 de julho de 2023

O Sonho Proibido

Todos os dias á mesma hora o misterioso feiticeiro ia até á vila mais próxima, sempre na companhia do seu cavalo, sempre armado com a espada magnifica que a deusa lhe dera, e com a sua varinha escondida no punho. Estava sempre alerta, qualquer sinal de que a bruma negra podia despertar novamente o fazia olhar em redor. 
Dirigia-se ao lugar do mercado para trocar as suas misturas de ervas para curar diversos tipos de maleitas, ervas que só ele conhecia, por comida e algum hidromel. Ás escondidas alguém o observava, mas ele sabia quem era mesmo que não a visse, fazendo-a pensar que estava fora da sua vista. Era sempre a mesma rapariga curiosa e que não dizia uma única palavra.
Subitamente ele parou para pensar, lembrou-se da carta dentro um pote no qual tropeçou, mensagens sem nome, sem remetente, cartas soltas, será? Será que era ela a autora de tais mensagens?

Ela por sua vez via-o da sua casa por entre as estreitas aberturas da parede do sótão onde dormia sozinha desde que perdera a sua família - perda essa que ela propria vingou sem qualquer remorso - e o seu coração saltou e ficou tão apertado quando os seus olhos encontraram os dele que era obrigada a dar longos suspiros, mais um olhar para admirar aquele sorriso, os lábios dele, imaginava como seria o seu beijo, o seu toque, sentir a sua pele, o seu cheiro, o seu calor mais de perto. E soltou mais um longo  (e demorado) suspiro!
Ansiava por um olhar, um sinal, qualquer coisa que lhe desse a certeza de que ele podia sentir o mesmo. Mas como iria reconhecer esses sinais? Se apenas o observava de longe, e nas suas mensagens nunca se identificava. Não tinha coragem para tal. O medo de ser rejeitada era maior, seria um castigo pior do que ser queimada na fogueira, que certamente seria se descobrissem que tinha assassinado um homem.
Abanou a cabeça tentando acordar do deu sonho pois não iria passar disso mesmo, eram mundos diferentes que não se permitiam misturar-se, e isso deixava-a angustiada. 

Por mais que tentasse apagar da lembrança aquele olhar, era impossível, só á noite no escuro do quarto deixava a imaginação e os pensamentos fluírem e imaginava-se nos seus braços, deixando aquele olhar invadir o seu corpo. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

A Floresta

Todas as manhãs um denso nevoeiro invadia a Floresta, o silêncio dominava, quebrado apenas pelo som dos seus passos nas folhas e galhos das árvores ou pelo bater de asas de uma ave.
Caminhando até ao seu local de meditação, o Feiticeiro olhava em seu redor para ter realmente a certeza de que estava sozinho. 
Este era o unico lugar onde se sentia confortavel, e em paz. Sem gritos de terror sem o som das espadas no meio de uma batalha, sem o correr dos cascos dos cavalos, sem a ansieade de pensar se estará vivo para ver mais um nascer do sol. Era tão bom que não houvesse guerra, e que as mães não tivessem que passar pela dor de perder os seus filhos, era tão bom... sentir novamente a Felicidade!

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Uma campanha para começar de novo

Olá, o meu nome á Catarina e como sabem, sou mãe da pequena Beatriz, ou Bia como carinhosamente a chamamos. Neste momento tenho uma campanha a decorrer para angariar fundo para começar um "Novo Sonho". 

Eu e o meu marido para fomos muitos criticados por familiares próximos devido a esta nossa iniciativa mas eu não sou nem nunca fui uma pessoa de desistir, e por isso a campanha continua activa e vai continuar até ser necessário. Quem quiser continuar a ler, abaixo conto a história da nossa pequena guerreira que infelizmente não aguentou o campo de batalha. 

Ninguém é obrigado a dar nada mas por favor se esta história tocar os vossos corações pelo menos partilhem a campanha, e isto não custa nada! Quem tem filhos irá entender, e que sabe a dor de os perder, entenderá ainda melhor aquilo que sinto e aquilo porque estou a lutar. Façam este link chegar o mais longe possivel.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

A Oportunidade


Há muito tempo foi-me dito que há três coisas que não voltam atrás: o tempo, a flecha lançada e a oportunidade perdida. Foram palavras que eu nunca mais esqueci e que penso nelas de cada vez que vejo um desafio á minha frente.

A Beatriz é seguida nas consultas de genética no hospital de Santa Maria, e ontem foi dia de consulta, e fui também com o João pois a médica queria nos dar os resultados de uns exames que fizemos e onde se descobriu que o síndrome da Bia vem do João.
 
Durante a consulta a médica perguntou se queríamos ter outra criança - eu não me importaría mas estou com receio de passar por tudo o que já passei com a Bia - na conversa a médica explicou que existem opções, uma delas seria fazer uma implementação in vitro de forma a que a criança não tivesse o mesmo síndrome que a Bia e o João visto de ha 50% de risco disso acontecer, com tratamentos em laboratório, mas isto só é feito num hospital no Porto. A outra opção seria uma gravidez natural mas sendo sempre seguida no hospital com exames constantes. 

Eu estaria disposta a ir pela primeira opção mas o João não quer, seria uma oportunidade de termos uma criança sem os mesmos problemas de saúde da Beatriz, mas quando tentei falar com ele ainda ficou zangado comigo e não consegui expor o meu ponto de vista, por isso vou arrumar o assunto e focar-me apenas na saúde da Beatriz.

sábado, 29 de maio de 2021

A Cabana

O Feiticeiro estava a recolher materiais para  terminar a sua cabana na floresta quando começa a ouvir cascos de cavalos a proximarem-se. Era a uma comitiva real. Lentamente ele parou o que estava a fazer para os receber embora essa não fosse a sua vontade.

- O que querem?

Perguntou ele para os guardas. 

- Sua majestade o príncipe deseja falar-vos.

- Humm.. - fez ele torcendo nariz - E se eu não quiser falar com ele? Nunca me deram o devido valor quando vos avisei da bruma negra! Nenhum de vos tem poder ou capacidade para a deter. E agora o príncipe já quer falar comigo!?

- Temos ordens para o levar até ao castelo, mesmo que seja á força!

- Não sera necessário. Eu vou, mas é bom que não demore, preciso terminar o telhado da minha cabana antes do próximo temporal.

Todos os guardas olharam uns para os outros pois o tempo estava optimo e nada faria prever um temporal nos próximos dias. O Feiticeiro assobiou e o seu cavalo negro surgiu de trás da cabana, subiu para cima dele e lá seguiu com a comitiva real.


domingo, 13 de dezembro de 2020

Como enviar energia positiva para qualquer pessoa

As bolas de energia de cura à distância são muito mais antigas do que você pensa. Desde os tempos antigos, os humanos sabiam que eles não têm apenas um corpo físico, mas outras frequências existem dentro - ao mesmo tempo. 



Embora muitas civilizações antigas possam ter categorizado os corpos de uma maneira diferente, todas concordam que existe um corpo físico, um corpo de energia espiritual (alguns o chamam de Corpo Astral) e, é claro, a Alma imortal.


O corpo de energia (também conhecido como corpo astral) é muito sensível a estímulos externos (e, claro, internos). Enquanto está em uma sala onde algo terrível aconteceu, nosso Corpo de Energia coleta informações que afetam sua “fisiologia” e, portanto, nos ajuda a entender o que pode acontecer ali. A energia desta sala aterrorizante interage com o seu corpo energético e este calafrio que você está sentindo é um 6º sentido real vindo deste - muito mais - “corpo” sensível. Se por algum motivo você tiver que ficar nesta sala, a energia da sala irá interferir na "homeostase" do seu corpo energético e alterar algumas de suas funções, o que acabará por significar - se você não fizer algo a respeito - fraqueza, esgotamento de energia e doença.