Todos os dias á mesma hora o misterioso feiticeiro ia até á vila mais próxima, sempre na companhia do seu cavalo, sempre armado com a espada magnifica que a deusa lhe dera, e com a sua varinha escondida no punho. Estava sempre alerta, qualquer sinal de que a bruma negra podia despertar novamente o fazia olhar em redor.
Dirigia-se ao lugar do mercado para trocar as suas misturas de ervas para curar diversos tipos de maleitas, ervas que só ele conhecia, por comida e algum hidromel. Ás escondidas alguém o observava, mas ele sabia quem era mesmo que não a visse, fazendo-a pensar que estava fora da sua vista. Era sempre a mesma rapariga curiosa e que não dizia uma única palavra.
Subitamente ele parou para pensar, lembrou-se da carta dentro um pote no qual tropeçou, mensagens sem nome, sem remetente, cartas soltas, será? Será que era ela a autora de tais mensagens?
Ela por sua vez via-o da sua casa por entre as estreitas aberturas da parede do sótão onde dormia sozinha desde que perdera a sua família - perda essa que ela propria vingou sem qualquer remorso - e o seu coração saltou e ficou tão apertado quando os seus olhos encontraram os dele que era obrigada a dar longos suspiros, mais um olhar para admirar aquele sorriso, os lábios dele, imaginava como seria o seu beijo, o seu toque, sentir a sua pele, o seu cheiro, o seu calor mais de perto. E soltou mais um longo (e demorado) suspiro!
Ansiava por um olhar, um sinal, qualquer coisa que lhe desse a certeza de que ele podia sentir o mesmo. Mas como iria reconhecer esses sinais? Se apenas o observava de longe, e nas suas mensagens nunca se identificava. Não tinha coragem para tal. O medo de ser rejeitada era maior, seria um castigo pior do que ser queimada na fogueira, que certamente seria se descobrissem que tinha assassinado um homem.
Abanou a cabeça tentando acordar do deu sonho pois não iria passar disso mesmo, eram mundos diferentes que não se permitiam misturar-se, e isso deixava-a angustiada.
Por mais que tentasse apagar da lembrança aquele olhar, era impossível, só á noite no escuro do quarto deixava a imaginação e os pensamentos fluírem e imaginava-se nos seus braços, deixando aquele olhar invadir o seu corpo.

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