A rapariga acordou no dia seguinte com um raio de sol a iluminar-lhe o rosto, ao abrir os olhos deu-se conta que estava sozinha num quarto que não era o seu, numa cama que não era a sua, a almofada tinha o cheiro dele, enterrou a cabeça nela e lembrou se da razão de estar ali.
Dormira na cabana do feiticeiro depois de na noite anterior ter ido ter com ele e acabado por fazer uma declaração em jeito de desabafo á qual ele não lhe tinha dado outra resposta senão o seu silencio. Levantou-se e reparou que ainda tinha vestidas as mesmas roupas, uma vez de pé tentou endireita-las sem grande sucesso. Como era estranho estar ali, ter dormido noutro lugar que não o seu sótão com cheiro a mofo e ratos, ali cheirava a natureza e havia uma brisa fresca no ar que contrastava claramente o odor pestilento da cidade. Abriu a porta do quarto devagar a caminhou pelo corredor devagar numa tentativa de evitar que a madeira do chão fizesse muito barulho, chegou a uma pequena sala com uma mesa feita de pinho, e um canto onde havia vestígios de cinzas, certamente seria uma pequena cozinha dos dias mais frios e de chuva que impediam o feiticeiro de estar lá fora ao ar livre. Á sua frente havia mais uma porta que estava entreaberta deixando entrar o sol e aquela brisa matinal, na rua viu o feiticeiro a escovar o seu cavalo negro, tinha o mesmo olhar severo da noite anterior, o olhar distante mas concentrado no que fazia, não se deu conta a principio que ela estava ali. Só quando deu a volta ao animal para escovar o outro dorso a viu á porta da sua cabana, e desviou o olhar.
- Já estás ai? - disse em tom grosseiro. Ela nada lhe respondeu e desceu os pequenos degraus do patamar para retomar o seu caminho até á cidade - Tens fome? Tenho pão e presunto.
Ela parou e olhou para ele, de facto estava com alguma fome mas não sabia se havia de aceitar a oferta ou não.
- Obrigada, mas eu vou andando. Já causei transtorno que chegue. - respondeu calmamente.
- Espera. - disse o feiticeiro. - Sobe para o cavalo que eu levo-te!
Ela ficou atónita, mas acedeu ao pedido e deu a mão ao feiticeiro que a ajudou a subir para o cavalo, e juntos tomaram o caminho para a cidade.
Após algum tempo ele quebrou o silêncio.
- Tens nome? Ou tenho de continuar a tratar-te por rapariga?
- Sim tenho. Mas para te dizer o meu tens que me dizer o teu. Os nomes têm poder não devem ser ditos assim de forma leviana.
- Hum, vejo que percebes alguma coisa. Sim, os nomes têm poder, na magia ao usar o nome da pessoa podemos lançar feitiços bons ou maus. Mas tudo bem, percebo que o dizes. - terminou e ficou calado mais algum tempo, fazendo-a pensar que o silêncio iria durar até chegarem á cidade, o que não iria demorar muito mais - Sou Ferghus! - disse o feiticeiro.
Ela abriu muito os olhos e sentiu um pequeno calor no seu peito, a sua raiva parecia estar a dicipar-se.
- Chamo-me Caelssy.
- Fico contente em saber.
E a conversa ficou por ali, tinham chegado e o cavalo parou.

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