quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Coração sufocado

Ás vezes, muitas vezes, olhamos para os outros, na forma como agem, na forma como são e desejamos ser como eles. Criam-se fantasias, sonhos, sentimentos que mantemos ocultos porque de repente se percebe que há pessoas demasiado distantes, pessoas que nos fascinam e têm uma magia própria que nunca teremos... que nunca terei! Essa magia faz parte da essência dessa pessoa, por mais que gostasse de ser como ele nunca lá chegarei. É isso que me entristece um pouco, saber que posso não ser fenomenal como ele é, mas que ainda não encontrei a minha essência, e não sei onde a encontrar.

Há coisas que mesmo sem ver sei que só ele faria, e eu não, não tenho coragem de me aventurar sozinha na floresta, não sei tirar fotos maravilhosas como ele, não sou tão fenomenal como ele é!
Deixei-me ir abaixo há muito tempo atrás, deixei que me fizessem acreditar que não valia nada, deixei-me perder o meu amor próprio. Sinto-me presa!
Presa dentro de mim própria mas com os olhos numa liberdade que pode não passar de uma fantasia, de um sonho. Sonho esse que mal fecho os olhos surge á minha frente, mesmo quando tento não pensar nele. 
Preciso do meu amor próprio, quando eu o encontrar, encontrarei a minha essência.



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Sonhar o sonho impossivel

Eu nunca vou conseguir explicar o porquê deste sentimento, mesmo sabendo que é loucura o que sinto, mesmo sabendo que não me vou desviar do meu caminho para me cruzar com o teu. Talvez seja isso que tanto me magoa.
Nunca vou poder revelar os meus sentimentos, o que pensarias tu de mim? Sim, que não dou realmente valor ao amor, que quero uma aventura por diversão. Não, não sou assim. Prefiro continuar no meu mundo de silencio e angustia, prefiro continuar a sonhar, ainda que isso me torture. Porque sei que a tortura uma dia acaba, mas enquanto não acaba, continuo a sonhar...

Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca.

~*~ Dom Quixote ~*~


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O canto do Lord

She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes:
Thus mellowed to that tender light
Which heaven to gaudy day denies.

One shade the more, one ray the less,
Had half impaired the nameless grace
Which waves in every raven tress,
Or softly lightens over her face;
Where thoughts serenely sweet express
How pure, how dear their dwelling-place.

And on that cheek, and over that brow,
So soft, so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,
But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent!



~*~ Lord Byron ~*~



Poema retirado daqui

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Descoberta

O que eu mais gostava, nos meus passeio solitários na floresta, era sem querer, sem que nada o previsse, que um brilho despertasse a minha atenção, e eu curiosa como sou sobre os mistérios da floresta, ia atrás deste brilho, por cima das pedras, afastando arbustos até chegar ao local onde os raios de sol iluminavam o que parecia uma velha cruz de metal engolida pelas silvas e outra ervas daninhas.
E ao afastar todas as ervas, descobria que a cruz era afinal uma antiga estava de um rei, cravada ali na rocha, aparentado dificuldade em ser retirada mas que ao tentar puxar, ela cedia, e com um pouco mais de força e espada saia da rocha espalhando pela floresta uma onde incrível de luz e magia.
E eu incrédula, olhava para a relíquia com aquele olhar de pura felicidade porque afinal havia magia de verdade e algo de extraordinário acabara de acontecer, pois afinal aquela espada seria o principio de outra realidade, não fosse ela Excalibur. 



domingo, 10 de dezembro de 2017

Quero entrar no teu mundo

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Uma vez sonhei que caminhava ao teu na floresta, me abrias a porta para entrar no teu mundo, e assim acordei sem saber o que pensar, sem saber o que este sonho significava, achei que ao entrar nele não poderia mais sair. Mas eu quero descobrir o teu mundo, quero vaguear na noite contigo, descobrir os segredos da floresta, eu quero! 
Quero entrar no teu mundo, quero passar horas a conversar contigo, sem pressa e sem hora marcada, saber o que a tua aura esconde. Quero estar contigo, quando estás feliz mas também quando estás triste, quero saber o que te vai na alma. Quero estar presente, quero essa porta disponível para eu entrar, porque eu gosto de ti, porque sinto uma ligação especial quando te vejo, porque apesar de ter escolhido um caminho diferente os nossos acabaram por se cruzar, e mesmo que nenhum de nós se desvie do seu caminho, podemos ainda assim partilhar o caminho da amizade.
Sim, eu quero a chave do teu mundo, mas não tranques a porta para eu poder entrar e sair quando quiser com a promessa de voltar sempre que sentir a tua falta.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Sinais ocultos

Todas as manhãs ela procurava por ele, por um sinal, um olhar, mas as suas aparições eram cada vez mais raras e menos demoradas. Nem sequer tinha tempo para o convidar para um café, conversar dois minutos, ganhar aquele beijo de bom dia na face.
Não havia tempo, e agora ele mal olhava para ela, o que teria acontecido? Teria ela feito algo que o ofendera? Porque estaria ele a ignorar a sua presença se eram amigos há tanto tempo?
Ela não sabia, e isso deixava-a triste e com um vazio no peito por nem poder sequer lhe perguntar pois, e será que ele iria dizer?

Num dia de manhã, e como era costume foi tomar o seu café e ele ja la estava sentado, passou por esse e recebeu um bom dia quase forçado. Dirigiu-se ao balcão para pedir um café e ao regressar ele ja tinha ido embora deixam a sua chávena de café vazia com algo curioso no fundo.. um sinal que ela sabia ler mas não conseguia acreditar, e como todos os sinais, podem ter várias formas de ser interpretados, o curioso sinal tinha a forma de um coração no fundo da chávena de café, uma paixão violenta mudaria a sua vida...




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Quando fala o amor


Foi para ti que desfolhei a chuva, para ti soltei o perfume da terra, toquei no nada e para ti foi tudo, 

Para ti criei todas as palavras e todas me faltaram no minuto em que falhei o sabor do sempre 
Para ti dei voz às minhas mãos abri os gomos do tempo assaltei o mundo e pensei que tudo estava em nós nesse doce engano de tudo sermos donos sem nada termos simplesmente porque era de noite e não dormíamos 
Eu descia em teu peito para me procurar e antes que a escuridão nos cingisse a cintura ficávamos nos olhos vivendo de um só olhar amando de uma só vida.

~*~ Mia Couto ~*~ 




sábado, 2 de dezembro de 2017

O Portal

Ele corria pela floresta a galope, o seu cavalo negro não aguentava muito mais, estava cansado, mas algo lhes dava força para continuar. Atrás deles uma bruma negra os perseguia, e o feiticeiro sabia que estava perto e tinha a sua varinha pronta para se defender. 

O Portal estava perto, era numa clareira no meio daquela floresta, faltava pouco e o seu cavalo suplicava por descansar.
Segurando a varinha na mão esquerda, onde só brilhava o seu anel celta em prata, ele conjurou um feitiço para afastar a bruma negra. Resultou por momentos, mas até as árvores pareciam não o deixar avançar, as suas raízes apreciam vivas e queriam soltar-se da terra e das pedras de granito.
O coração acelerava cada vez mais, onde estaria o portal? Teriam as árvores mudado de sitio por forma a desvia-lo do seu caminho? Puxou as redias do seu cavalo fazendo-o erguer-se apenas nas patas traseiras e com um grito um outro feitiço mais forte saiu da sua varinha.
Tinha razão as árvores também já tinham sido amaldiçoadas pela bruma negra, pois agora ele conseguia ver que elas se afastavam mostrando novamente o caminho.
Pediu ao seu cavalo negro um ultimo esforço, e ele acedeu, correu, correu, e finalmente na clareira os raios de sol surgiram assim como o Portal, cujas porta já se tinham aberto para ele passar. A bruma aproximava-se, e num ultimo salto conseguiu atravessar a portal deixam a floresta para tras, agora estavam a salvo, e podiam descansar. Mas a batalha ainda mal tinha terminado, ele haveria de voltar e derrotar o espírito que se escondia na bruma negra e libertar a floresta das trevas. Mas para já estava em casa, chegara a Agartha!