sábado, 17 de outubro de 2020

Proteger a Beatriz

Hoje tive uma conversa com a minha mãe sobre mim, a Beatriz, e a forma como eu a protejo... ou não, às vezes não sei se faço as coisas certas ou se faço as coisas só para agradar ao João. Bom, se chegar à conclusão que é isso, então não estarei de todo a proteger a Beatriz.
Posso ter o feitio que tenho, ser mais reservada e observadora, a minha mãe é mais de explodir. Mas tem razão em muitas coisas e faz-me ver as coisas de outra maneira.

O João combinou um almoço nos pais, porque a uma vizinha quer ver a Bia, eu discordei, e ele não me deu ouvidos, tentei que em vez disso que fossem só os pais dele a vir cá mas ele reclamou como se eu estivesse errada e não houvesse problema. Mas há! Há um vírus a circular e cada vez mais pessoas doentes. Há uma bebé cardíaca que espera por uma cirurgia e que precisa de se manter o mais forte possível. Desabafei isto mesmo com a minha mãe, porque muitas vezes parece que ele casou com os pais em de mim, ás vazes parece que eu tenho de fazer tudo o que ele quer, parece que cada palavra que os pais dizer é LEI e que as minhas não contam para nada!

A minha mãe ouviu-me e deu-me o seu conselho, disse para eu pensar na Beatriz, naquilo que nós as duas já passámos. Nunca escrevi sobre isso aqui no blog porque foi uma fase complicada, mas escrevi num diário que tenho, resumindo, ás nove semanas de gravidez se eu não fosse para o hospital hoje não estava cá, e felizmente a pequena Bia sobreviveu também. Ela é uma lutadora, nasceu de cesasiana, ja fez uma cirugia com oito dias de vida, sim oito dias! Depois disso esteve doente, apanhou um choque septico, mas superou-o! Só veio para casa na véspera de fazer três meses! Elá já passou por muito, já chorei muita lágrima por medo de a perder. Hoje continuo com medo de a ver doente e não saber o que fazer, estou com medo que tudo se repita. Ou será que o João já se esqueceu??

Foi a pensar nela que me agarrei ao telemóvel e liguei ao meu sogro e combinei as coisas como eu acho correcto, se eles a querem ver, ok, são avós, mas vêm cá a casa.
 

Ele concordou comigo e parecia até satisfeito com a proposta. E eu senti que tinha feito a coisa certa.

Mais tarde o João ligou ao pai para ele ver a Bia no WhatsApp e no meio da conversa ouvi do lado de lá "para passar fome passo na minha casa".

Não sei o que dizer deste comentário do pai dele, sinceramente não sei. Não gostei! E ando cansada deste tipo de comentários, pois já não é a primeira vez que acontece. Ás vezes apetece-me fazer como a minha mãe e explodir, mas se ao menos eu conseguisse dizer as palavras certas para não perder a razão. Não sei como lidar com eles. 

A minha vontade é fugir com a Beatriz, assim tinha a certeza que a protegia á minha maneira. Mas enfim, se eu fosse como os gatos já o teria feito provavelmente, mas assim não posso, ainda sou acusada de rapto ou algo parecido e então fico mesmo sem ela, quem me dera ser como os gatos, ninguém censura as maes-gato quando elas mudam os filhos de ninho. Quero proteger a Beatriz acima de tudo!

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