Eu tal com outras pessoas no desemprego, vi uma oportunidade no turismo, e descobri uma profissão que amo de coração, para além de Amar Sintra, amo mostrar cada detalhe, contar historias e lendas a quem a visita, a quem a quer descobrir. Abri a minha empresa em 2016 e ela foi crescendo, foi a melhor coisa que fiz e não me arrependo, sempre tive colegas e concorrência e todos nos dávamos-nos bem, por vezes até trabalhávamos em grupo e corria tudo bem. Nessa altura já havia uma empresa de tuk tuks e até eram muito engraçados, passeavam-se em frente á estação com pestanas nos faróis e bigodes, como se fossem meninas e meninos, eram muito giros, e os guias eram todos licenciados em turismo, faziam tours e davam ao visitante uma forma diferente de conhecer Sintra.
Mas hoje, não só devido á pandemia, está impossivel trabalhar em Sintra, impossível fazer as rotas que fazia, tanto que tive acabar com algumas ficando apenas com uma que em dias de risco de incendio se torna impossível de concretizar. Partilho da opinião da
Ju Oliveira
quando ela diz:
"Se há muitas pessoas que conduzem tuk tuks que não interessam a ninguém? Há e infelizmente cada vez mais"
E sou da opinião que foram estas pessoas que fizeram com que as coisas chegassem a este ponto, foram elas que deram a imagem que temos hoje todos tuk tuk em Sintra. Talvez por essa razao a empresa que falei ao inicio fechou! Porque empresas de Animação Turística vendem Tours, vendem um dia (ou meio dia) de animação! Não um transporte. Não somos taxis. Já sei que vou ser criticada por esta opinião, mas ainda estamos num país livre.
Perdi muitos tours assim, por causa dos 5€ per person. Cheguei a ver pessoas a fazer tipico tranfer por tres euros (3€) para receber 2€, e até quem fosse dentro do autocarro tirar as pessoas de lá para levar no tuk tuk! Faz sentido?? Não, isto não é Animação Turística!
Eu tinha um tour em que só ia aos monumentos de Sintra, começava pela Regaleira, Monserrate, voltava á Vila para levar as pessoas a almoçar ao "Adega das Caves" (saudades) depois ia com eles á Piriquita, ver os miradouros, depois seguiam-mos novamente no carro para os Mouros, Pena e estação. E era o tour que eu mais vendia! Ganhava eu, os turistas e o comercio local da Vila. Hoje mesmo que eu queira fazer isso não tenho onde deixar o carro, porque quando tenho pessoas com mais dificuldade em andar tenho de estacionar próximo dos locais... Nao dá! Deixei de poder vender este tour! Agora estou limitada a uma única rota - quando a serra não está fechada - para trabalhar. Sou "obrigada" a ir ao Palácio da Pena primeiro, depois Regaleira e Monserrate, depois sou novamente obrigada a seguir até Colares, onde acabo por ir até ao Cabo da Roca e seguir até Cascais, porque não é viável voltar para trás (por Colares) ou fazer a volta de outra maneira, perde-se imenso tempo no caminho e se estiver transito ainda pior.
Além disso, como munícipe, sinto-me impedida de passear ou visitar monumentos com a família nos dias em que o Sr. Basílio decide fechar a Serra, que como sabemos na maior parte das vezes faz muito calor em Lisboa mas em Sintra está a chover e nevoeiro, é típico de Sintra.
Concordo que se deva proteger a floresta, e ainda mais as árvores centenárias que ela possui, concordo que tenha de haver uma solução para o transito, mas não concordo que o que está acontecer, há outras soluções! Não sou perita, mas acredito que isto pudesse ser feito de outra forma.
Eu quero trabalhar, ainda mais agora com uma bebé pequena. Quero que Sintra volte a ser dos Sintrenses, não quero uma Basilandia!
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