sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Carta sem remetente

Já a noite se alongava quando o feiticeiro tropeça num pequeno pote de cerâmica perto do lugar onde estava acampado, que se parte ao embater uma pedra. Ele apercebe-se de que algo está dentro do pote e investiga o seu conteúdo. Era uma carta, mas não tinha nome nem parecia estar terminada pela forma com as ultimas palavras estavam escritas. 
Ele levou a carta consigo, e mais próximo da fogueira leu-a para si:

Só posso desejar-te como se deseja algo que não se pode ter; desejar-te como ás estrelas para te contemplar todos os dias; desejar-te como o céu, sonhando um dia tocar-te; desejar-te como o mar para sentir o teu cheiro e olhar-te sempre que possível como a lua olha a sua montanha sagrada.

Tu que dormes na montanha como se fosses o seu guardião. Vagueias na noite como um espírito nas brumas. És incrível mas impossível de alcançar, solitário como um guerreiro errante.

Queria eu não pensar em ti, ou seguir a estrada que me leva ao teu mundo e perder-me no fogo fugaz desta paixão louca! E perceber, talvez assim, perceber que nunca terei mais de ti do que um sorriso ou um breve olhar...




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar.