No dia 22 de Novembro supostamente deveria vir aquilo que sempre vem todos os meses a todas a mulheres, mas o meu falhou nesse dia... esperei. Uma semana, duas semanas, três semanas. Eu sei que a maioria não espera tanto mas eu sempre pensei que ele viria. Chega! Vou comprar um teste.
Na manhã seguinte, UAU! Um sorriso de felicidade e um teste positivo. Fui a correr contar ao marido que ainda estava deitado e saltei para cima da cama para lhe mostrar, logo que se apercebeu do que estava a acontecer agarrou-se a mim com as lágrimas de felicidade a brotarem-lhe pelos olhos, finalmente tínhamos conseguido após quase dois anos de tentativas.
Nesse mesmo dia enviei um e-mail para a minha médica de família para marcar uma consulta onde ela me mandou fazer analises e uma ecografia para datagem da gravidez.
No dia 28 de Dezembro de 2016 fui com o marido fazer a ecografia, porque ele - mais ansioso que eu - queria muito assistir. Resultado da ecografia: Mola Hidatiforme Parcial.
Eu nunca tinha ouvido falar sobre isto, mas para nós foi um choque pois não havia bebé nenhum, eram apenas as células que se desenvolverem numa placenta vazia e que teria de ser retirado por meio de curetagem em bloco operatório com anestesia geral.
Nunca na minha vida tinha tido tanto medo! A médica de familia encaminhou-me para o hospital, entrei pelo proprio pé com o meu marido logo de manhã do dia seguinte.
Após a consulta, fui dizer ao marido que iria lá ficar, vi o panico nos olhos dele e o esforço para esconder as lágrimas, nunca me tinha custado tanto vê-lo ir embora.
De volta á sala da consulta fiz mais uma ecografia, depois um raio-X, e outra ecografia á zona do estomago - não me perguntem porquê porque ainda não entendi - depois esperei alguns minutos por uma enfermeira que me colocou na mão a agulha do soro, aproveitou para tirar sangue para analises e ali fiquei com a agulha espetada só conseguindo mexer os dedos, pelo menos estava na mão direita visto que uso mais a esquerda.
Pouco depois, deram-me um saco para eu colocar a minha roupa, uma bata para eu vestir e uma cueca descartavel. Fiquei deitada na maca algum tempo, não sei quanto tempo mas pelo menos uma hora e tal devo ter estado, nesta altura aproveitei para ligar ao marido e dizer-lhe que estava tudo bem.
Um enfermeiro vem ter comigo dizer-me que está na hora de ir para o bloco, fui pelo próprio pé, só queria ver todo este pesadelo pelas costas e ainda passar o Ano Novo com o meu marido e família.
No bloco, já deitada vi que eram 16:50h, eu tremia por todo o lado, não sei se de frio ou pela pilha de nervos que tinha. Vi as enfermeiras e auxiliares a atarem-me as pernas e os braços, outra que me pôs o soro, gritei nessa altura porque doeu mesmo ao entrar na veia, a minha aparente calma há muito que tinha desaparecido, senti uma máscara na minha cara, o corpo a ficar dormente e tudo ficou escuro.
Dizem que a sensação que se tem é de adormecer e acordar logo a seguir, sim, posso dizer que é verdade, pareceu-me que logo de seguida estavam a chamar por mim, senti uma maca ao meu lado e a dizerem-me para eu ir para lá, mal conseguia abrir os olhos, taparam-me, finalmente estava quentinho, senti-me a andar e os luzes do tecto a passar, um sabor horrivel na boca e uma dor de garganta, para alem das dores de barriga. A maca parou, vi uma auxiliar ao pé de mim a fechar a cortina dizendo para eu dormir um pouco. Mas eu não dormi, queria falar com o marido, e estava toda dorida. Aos poucos fui mexendo o corpo, nem fosse para ter a certeza que todas as minhas extremidades se moviam. Passado bastante tempo é que me dei conta que ao meu lado direito numa cadeira estava o saco com a minha roupa e o meu telemóvel, e com o braço esquerdo porque o mal o mexia devido ao soro, lá puxei o saco um pouco e encontrei o telemovel, liguei-o porque até então tinha estado desligado, e falei com o marido, disse-lhe onde estava que já tinha ido para o bloco e que logo que soubesse mais novidades que lhe ia contando, eram 18:55h.
Uma médica veio ter comigo e perguntou-me como se sentia e se eu queria ir para casa, obviamente que disse que sim. Ela tanto disse os cuidados que eu deveria ter deu-me alta para ir para casa. Fiquei feliz pois pensava que iria passar pelo menos uma noite.
Algum tempo depois, veio uma enfermeira para anotar os dados da maquina que de vez enquando ia medindo a minha tensão. Ela é que me disse que tinha corrido tudo bem, verificou se eu estava com muito sangramento ou nao, admito que até eu esperava ver o penso mais sujo. Perguntei se podia comer alguma coisa, e ela trouxesse-me uma carcaça, um pacotinho de manteiga e um chá, nunca um pão com manteiga me soube tão bem.
Depois ajudou-me a levantar e levou-me ao WC, quando voltei fui me vestir, antes disto já eu tinha ligado ao marido a perguntar onde ele estava.
Despachei-me e só depois me tiraram a agulha do soro, finalmente, já podia mexer melhor a mão. Chegou o marido. Deram-me os papeis para a consulta e para as analises e já podia ir embora. Tinha terminado a pesadelo!
A primeira coisa que fiz ao chegar a casa foi comer uma tigela de sopa, e depois fui-me logo deitar, eram 21h.
Passados oito dias fui fazer as analises, estava tudo bem, nos níveis do Beta, a hormona da gravidez, estavam muito mais baixos.
Este foi o presente que 2016 me deu, eu preferia que não tivesse sido assim, tudo isto causa muita confusão, muita raiva e muita tristeza e incertezas, pois passaam-se anos a adiar por todos os motivos e quando se quer demora-se até conseguir e quando se consegue acontece isto. Nem todas as gravidezes sucede isto, mas a verdade é que as probabilidades estão lá! Agora há que perder os medos, tratar de mim e assim que os médicos me digam que está tudo bem, voltar a tentar outra vez.
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